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Resolvemos listar aqui os nossos cinco livros favoritos entre os que lemos em 2012. Acho que esse é o pesadelo de todos os leitores, né? Colocar livros em ordens de preferência A nossa colaboradora Regiane Morais também listou as obras favoritas dela em seu blog, e eu fiz uma listinha maior no meu blog pessoa.

Lembrando só que essas listas não são ‘Melhores Livros’, e sim os favoritos, então todas as escolhas são completamente subjetivas e pessoais.

Shin

05) Contos da montanha, de Miguel Torga

No ano que acabou de passar, por motivos óbvios, comecei a me interessar pela literatura portuguesa (só para lembrar, estou morando aqui até fevereiro, em virtude de uma bolsa de estudos). Eis que tentei algumas aproximações mas que se mostraram ingratas, até que um colega português (valeu, Rafael!) me indicou e me emprestou este livro. Vou ser honesto e dizer que apenas comecei a ler – fui interrompido pela urgência de um trabalho acadêmico. De qualquer forma, coloco-o nesta lista por ter ficado extremamente tocado pelo único conto que li, O Cavaquinho, e também por, de uma forma ou de outra, ele representar essa minha busca pela literatura portuguesa neste ano que passou.

04) Para onde vamos quando desaparecemos?, de Isabel Minhós Martins (texto) e Madalena Matoso (ilustrações)

Eu trabalhei um tempo com literatura infantil (numa escola) e descobri que gosto de estudá-la, mas não por isso coloco esse livro na lista. Coloco-o pois foi um livro que me surpreendeu de uma tal maneira, me tocou de uma forma tão íntima que ainda acho difícil explicar. Esta obra portuguesa sobre a morte é de uma delicadeza tão grande que mal possui uma história, mais se parece com uma conversa (e das boas). Para mim, não sei como descrevê-lo, sem contá-lo inteiro, pois ele me parece essencial, no sentido de não falar nada além do elementar (o que, curiosamente, me fez vê-lo na sua totalidade, uma vez que essa “essencialidade” me dificultou a vida quando fui fazer analisá-lo para um trabalho e, então, percebi o tamanho da sua complexidade em contraponto a sua suave simplicidade).

03) Poemas para brincar, de José Paulo Paes (texto) e Luiz Maia (ilustrações)

Este outro livro infantil também ultrapassou a barreira da literatura infantil enquanto trabalho ou estudo, porque me iluminou novamente para os poemas (coisa que para mim sempre foi um bicho de sete cabeças). Sendo na leitura sozinho ou pensando em coisas que eu podia fazer com as crianças ou pelas palavras destas sobre seus poemas, Poemas para brincar me fez enxergar de verdade a literatura infantil e digo mais, me convidou de fato a participar desse mundo. Mais do que poemas lúdicos, engraçados, brincalhões – o que de imediato poderia parecer uma coisa simplória – esta obra (e suas ilustrações!) fantástica nos permite conhecer e percorrer não mais sobre a nossa própria língua e toda sua belíssima amplitude.

02) Como funciona a ficção, de James Wood

A Gabi já falou um pouco sobre este livro aqui, de um modo muito conciso sobre o que é a obra de fato. Me limito, então, a contar uma historinha que tudo tem a ver: quando li seu título no site da editora, me pus a pensar, realmente, como funciona a ficção. Pois que o comprei e li vigorosamente. Não posso, obviamente, responder como funciona, mas posso dizer que mas foi um livro que me abriu a mente e deixou que outras coisas novas entrassem e fizessem significado. Além disso, e talvez mais importante, me fez questionar coisas que para mim pareciam tão naturais quanto respirar – e por todo esse balanço, essa batida forte, que acredito que foi um dos melhores livros que li, pois me tirou um pouco da órbita e me fez acordar e ver as coisas de um outro modo.

01) As armas secretas, de Julio Cortázar

Nenhum dos livros que está nessa minha pequena lista foi difícil de ser escolhido, isto porque todos estavam claramente na minha mente por terem de fato me marcado neste ano que passou, sendo a única dificuldade posicioná-los, exceto As armas secretas, que de longe foi o melhor livro que li esse ano. Os contos desse livro para mim foram praticamente como um tapa na cara, me fazendo cair da cadeira com tamanho vigor e controle da linguagem (e da ficção e da situação e das palavras em si) – e realmente me espantarei se alguém sair ileso da leitura de O perseguidor e d’As babas do diabo. Cada um dos contos do livro foi me acordando de uma maneira tão forte que ao fim do livro me perguntava como tinha vivido até aquele momento sem aquela sensação. Em outras palavras, foi um livro que me acordou e me gelou o sangue. E como eu precisava disso.

armassecretas

Juliana

05) Saga Os Heróis do Olimpo, de Rick Riordan (li os dois primeiros volumes, O Herói Perdido e O Filho de Netuno)

Não me julguem. Eu sou apaixonada por esse tipo de literatura, e ainda acho que Percy Jackson não faz mais sucesso porque muita gente deve achar que se trata de um Harry Potter genérico. Eu digo que são duas sagas incomparáveis, ambas muito boas e gostosas de ler. Sem falar que o Rick Riordan tem uma mania linda de representar minorias nos personagens principais, o que me deixa bastante animada. Garanto esse cara no meu top 5 porque ele sempre me garante bons momentos literários!

04) As Vantagens de Ser Invisível, de Stephen Chbosky

Vou dispensar apresentações porque a Gabi já falou do livro nesse post. É um livro fofo, triste, emocionante, que te faz pensar, sofrer, sorrir e querer se sentir infinito.

03) Na Natureza Selvagem, de Jon Krakauer

Estranho como, depois de ver o filme, eu peguei uma birra do Chris McCandless, mas ao mesmo tempo corri pra saber mais sobre a vida dele. E foi com esse mesmo entusiasmo que li Na Natureza Selvagem. Apesar de não concordar com ele, acabei muito envolvida em todas as suas aventuras, e terminei de ler com um bolo na garganta, o coração apertado e uma inquietude na alma. Estou longe de compreender o Chris, mas ele deixou um pouquinho da história dele na minha vida.

02) A Visita Cruel do Tempo, de Jennifer Egan

Esse livro funcionou comigo de uma forma incrível. Gostei de todos os personagens, gostei de todas as histórias e todas elas me impactaram de uma forma deliciosa. Tenho meus momentos preferidos, é claro, mas o livro como um todo foi muito especial e bom de ler. Adorei o jeito da autora escrever. Ao começar o capítulo, você nunca sabe quem está narrando, quando, onde, e de que forma. A Gabi também já falou dele bem aqui.

01) O Mito da Beleza, de Naomi Wolf

Tá, esse é bem em off. E eu confesso que ainda não terminei. Mas estou acabando, não deve passar nessa primeira semana de janeiro. E eu estou enfaticamente colocando esse livro em primeiro lugar, mesmo sem ter chegando ao fim, porque de todos os livros que eu li, ele foi o que mais me marcou. Não é uma ficção, mas eu bem gostaria que fosse, porque Naomi Wolf apresenta fatos bem difíceis de digerir a respeito do que as mulheres andam passando no último século. É um livro bem gostoso de ler, mas o impacto é bem profundo. Apesar de não ser um livro muito recente (por recente eu quero dizer…últimos dez anos), ainda acho que os dados estatisticos que ela apresenta AINDA refletem muita coisa a respeito da sociedade machista na qual vivemos. É um livro que TODA mulher deveria ler na vida.

Gabriela

05) As Vantagens de Ser Invisível, Stephen Chbosky

Eu não estava esperando gostar tanto desse livro quanto gostei. Achei muito bem escrito, delicado, cheio de emoções verdadeiras (algumas felizes e outras tristes) e cheio de personagens apaixonantes. Me identifiquei muito com o protagonista e isso fez o livro subir muito na minha lista.

04) Após o Anoitecer, Haruki Murakami

O Murakami é um dos meus escritores favoritos e esse ano eu li muita coisa dele, mas esse foi o meu favorito (apesar de, no geral, ainda preferir Minha Querida Sputnik). É uma história estranha, contada de um jeito estranho, mas com um tema universal: a solidão. Quando penso na função do realismo fantástico, em como acredito que o maravilhoso deve ser usado para mostrar os temas e os problemas do personagem, penso em como esse livro realizou isto perfeitamente. Escrevi mais sobre ele aqui.

03) Não Me Abandone Jamais, Kazuo Ishiguro

Um dos livros mais tristes do mundo, mas ao mesmo tempo um dos menos melodramáticos e manipulativos que eu já li. É uma investigação sobre o que significa ser humano, ter alma e direito à vida, usando um cenário interessantíssimo de ficção científica. Extremamente delicado e sutil, mas muito profundo. Também fiz um texto sobre ele.

02) As Crônicas Marcianas, Ray Bradbury

Meu livro de contos favoritos dentre os que li em 2012. Eu não esperava, pelo título marciano, algo tão pé no chão e realista sobre a sociedade. São diversos contos sobre a colonização de Marte onde Bradbury fala sobre dominação, política, racismo, censura, guerra. O livro, em si, é uma crítica ao modo de vida norte-americano na década de 50 (e que ainda faz sentido, talvez até mais, hoje em dia), disfarçado de ficção científica. Simplesmente genial. Ainda não escrevi sobre ele aqui, mas pretendo.

01) O Sol É Para Todos, Harper Lee

Eu nem sei o que falar sobre esse livro, nem sei como consegui escrever esse texto sobre ele. Para mim, é um livro perfeito. Eu já conhecia de nome e tinha ideia da história, mas quando comecei a ler não imaginava que encontraria uma obra que ia me tocar tão fundo como acabou acontecendo. É uma história sobre perda da infância, descoberta do mundo, opressão, racismo, coragem, ética e julgamentos precipitados. Esse livro é um daqueles que, depois de lido, nós pensamos: “É mesmo, foi pra isso que inventaram a literatura”.

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