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Se tem uma coisa que você não consegue deixar de ler esse ano (e a cada dia mais, até o bendito dia 21) é sobre o fim do mundo – e todas as paranoias, as “piadas” etc. Daí, seguindo essa onda, resolvemos pensar:

Qual fim de mundo de livro você não gostaria de viver de jeito nenhum?

E façamos as apostas de como o mundo vai acabar!

ah, o drama!

ah, o drama!

Shin
Ensaio sobre a cegueira, de José Saramago

Quando estávamos conversando sobre qual seria a “pergunta do mês” e surgiu essa ideia de falarmos da relação entre os livros e o fim do mundo, eu logo respondi que eu não quero viver nenhum fim do mundo, oras (alô, né?). Enfim, mas daí pensando, acho que o pior fim do mundo é essa perda das coisas mais elementares que nos cercam – e que o Saramago tão bem, tão cruelmente expôs. Não nego que esse livro é tão assustadoramente complexo e agonizante, que mal tenho palavras para dizer mais os porquês. Uma coisa é muito certa para mim: o mais difícil é saber que essa cegueira está nos rondando, como um urubu que ronda a carniça e que invariavelmente será devorada.

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Juliana
Hiroshima, de John Hersey

Tá, eu sei que o mundo não acabou por causa disso, e talvez eu esteja forçando a barra ao pensar nesse livro. Acontece que, pensando num contexto de caos no qual eu não gostaria de estar, Hiroshima cai muito bem. Lendo os relatos horríveis de pessoas que sobreviveram à bomba atômica me faz acreditar que, se houvesse um fim, ele seria daquele jeito. E não duvido que muita gente que presenciou a tragédia tenha pensado se tratar do fim do mundo. Não é possível compreender a vastidão das consequências dessa bomba. É um horror criado pelo homem que serve muito bem de prelúdio a um apocalipse.

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Gabriela
A idade dos milagres, de Karen Thompson Walker

Nesse livro, a velocidade de rotação da terra começa a diminuir ao mesmo tempo em que Julia, personagem principal, inicia a sua transição da infância para a adolescência. Os dias e as noites vão ficando mais longos, ninguém sabe exatamente quando começa um e termina o outro, fica difícil adequar sua rotina em meio a tantas mudanças que acontecem todos os dias e sem hora marcada, mas, mesmo assim, é o que todo mundo tenta fazer. Acredito que se acontecesse alguma espécie de apocalipse lento na vida real seria mais ou menos como nesse livro: as pessoas tentariam fingir que tudo ficaria bem e se ajustariam da melhor maneira que conseguissem. Esse apocalipse me marcou bastante, no entanto, porque ele é um reflexo do estado de espírito e das próprias mudanças na vida da personagem, cujas mudanças em seu corpo e sua vida pessoal são tão complicadas de lidar quanto as que estão acontecendo no mundo. E algo que eu não gostaria que acontecesse de jeito nenhum era ver o mundo acabando como um reflexo da minha vida.

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