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Por que um livro marca uma pessoa? Por que uma pessoa, afinal, lê?

A pergunta é básica e as possíveis respostas são igualmente fáceis de se imaginar. Mas então por que se debruçar [mais uma vez] sobre isso? As perguntas parecem não terminar, mas explico: apenas recentemente comecei a me interessar academicamente pela literatura. Não especificamente pela teoria literária ou estudos dessa ordem, mas pela relação entre a educação e a literatura. Desse modo, nada mais justo que começar pelo “começo”.

livros

Essa vontade/pergunta tomou uma forma mais explícita quando me surgiu a oportunidade de realizar um pequeno trabalho-questionário, que desenvolvi com um colega português (o Filipe Campos!), exatamente para investigar de leve as primeiras perguntas desse post. Claro que entrevistando 16 pessoas não se chega a nenhuma conclusão bombástica, definitiva ou concreta. Mas, também, quem precisa disso?

E só estou postando aqui porque depois desse post da Gabi achei interessante aprofundar um pouco a questão, apresentando rapidamente o que surgiu com as respostas dessas 16 pessoas e tentando refletir um pouco sobre tudo isso – com toda a humildade, claro.

O questionário em questão consistia em perguntas sobre qual o livro mais marcante para a pessoa, se ela estava lendo algum no momento da pesquisa e por que ela gostava de ler. Em síntese o que eu e meu colega descobrimos foi que essa parcela que pesquisamos aparentemente tem uma frequência de leitura e, embora sejam todos nossos amigos, têm gostos muito diferentes. O primeiro ponto interessante foi que a grande maioria explicou que os livros marcantes citados  foram livros que os mais tocaram. Mas para mim a coisa pega fogo quando começamos a ler os porquês da leitura. Primeiro vamos aos quatro grandes pontos comuns que foram citados: aumentar a criatividade e libertar a imaginação; aprender; conhecer a si mesmo e outras formas de ver o mundo; e divertir-se.

Ou seja, apesar dos livros marcantes terem sido os que os tocaram (o que inevitavelmente nos leva às emoções, experiências sentimentais e à paixão) temos também uma visão mais funcionalista da leitura ao se trata de explicar o motivo de se ler – leio para aprender, leio para aumentar a criatividade e, mesmo forçando um pouco, leio para me conhecer. Isso, para mim, mostra que as coisas são muito mais complexas do que podem parecer à primeira vista. Os motivos, as causas, as experiências da nossa relação com a literatura se forjam entre o gostar, o prazer, o benefício, a obrigação e tantos outros elementos. Claro que não estou inventando a roda, mas ao menos para mim foi importante chegar à esse ponto da reflexão principalmente pela intensa ideia de que “a leitura é boa, todos devemos ler, etc”, ideia essa que nos permeia e, até certo ponto, delimita alguns caminhos sobre a nossa visão sobre a literatura.

Vejam, não estou aqui dizendo que sou contra a leitura e ao incentivo dela. Isso seria absurdo! Na realidade o que estou procurando é tecer uma reflexão pessoal tentando ver exatamente alguns pontos que nos passam batidos (porque, como disse no começo, muitas das coisas que eu e meu colega encontramos não foram surpreendentes, enquanto essa junção entre prazer-benefício me espantou um pouco). Digo isso pois realmente acredito que ao pensarmos em um mundo de leitores, onde o hábito da leitura esteja disseminado, é também preciso ampliar nossos conceitos e olhares (especialmente). A experiência em sala de aula e os estudos tão distantes dela me fazem pensar nisso constantemente e, embora ainda não consiga, é isso que eu gostaria de partilhar aqui: a busca pelo equilíbrio entre todas essas instâncias tão fervorosamente interessadas pelos novos (e contínuos) leitores que andam à toa por aí.

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