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Assim como a Ju no post sobre Anna Karenina, eu fico um pouco incomodada de falar sobre O Grande Gatsby, justamente por ser um clássico dos clássicos e um daqueles livros muito maiores do que as nossas palavras sobre eles. Então, resolvi fazer um recorte temático na história e comentar sobre somente um assunto do livro neste post.

Primeiro, O Grande Gatsby é o mais famoso livro do F. Scott Fitzgerald, escritor norte americano bastante conhecido e elogiado por todo mundo. O livro foi publicado em 1925, e a história se passa em 1922, em pleno ao caos da Primeira Guerra Mundial e a época de prosperidade nos EUA (mal eles sabiam o que aconteceria em 29). O livro é uma crítica ao “Sonho Americano” e aos novos ricos. O personagem narrador do romance, Nick Carraway, idolatra o glamour da época e se muda para Nova York na intenção de fazer parte desse mundo, uma vez que se considera grande demais para viver em cidades pequenas. Ele quer fazer parte do mundo das pessoas ricas e importantes, e acaba vizinho de Jay Gatsby, milionário misterioso que enche sua casa de pessoas em festas dadas todos os fins de semana.

O livro fala da falta de moral e da decadência que, segundo a visão do autor, andam junto com a riqueza. Nick Carraway começa a conhecer os podres das pessoas ao seu redor e, ao mesmo tempo em que é fascinado por aquele universo, não consegue se conformar com a superficialidade e o materialismo ao extremo.

A silhueta de um gato em movimento cortou o luar e, ao virar-me para vê-lo, percebi que não estava sozinho – a uns quinze metros dali, uma figura emergiu da sombra da mansão vizinha e ficou de pé com as mãos no bolsos, observando a poeira prateada das estrelas. Algo em seus movimentos calculados e na postura firme de seus pés sobre a grama me revelou que era o sr. Gatsby em pessoa, tentando determinar que porção do nosso céu local lhe pertencia.

Mais que isso, o próprio Gatsby, típico novo rico, é objeto de fascínio não só de Carraway, mas de todos ao seu redor. Porque ninguém sabe muito bem o que ele faz, como conseguiu tanto dinheiro e sua história de vida. Acumulam-se os mais diferentes boatos sobre ele, que vão desde sua vida amorosa e acadêmica até que pode ter matado uma pessoa. Essa aura misteriosa só serve para aumentar ainda mais a popularidade do milionário. Mesmo sem saber direito quem é o dono da casa, todo mundo quer estar nas festas de Gatsby, especialmente quem não o conhece, não é seu amigo e nem mesmo recebeu convite.

É spoiler contar o final de um livro de 1925? Bom… *SPOILER ALERT*, Jay Gastby morre no final (não vou contar como pra não estragar tudo) e o contraste do funeral dele com as festas me deixou um peso no peito. Todo mundo queria ser amigo de Gatsby, todo mundo queria descobrir a verdade sobre Gatsby, todo mundo queria fazer parte da vida de Gatsby, todo mundo queria ir nas festas do Gatsby (mesmo quem não tinha convite dava um jeito de se grudar em alguém que era amigo de alguém que era amigo de alguém para conseguir entrar), e, quando o anfitrião morre, ninguém comparece. Nem mesmo aquelas pessoas que recebem a visita de Carraway informando da morte e dizendo que eles deveriam ir ao funeral, nem mesmo estes estão interessados em comparecer nesta última festa protagonizada por Jay Gatsby.

Eu não esperava esse contraste na estrutura da história e, justamente por isso, ele mexeu bastante comigo. É o que eu sempre digo: quando se está na merda é que descobre quem, entre seus amigos, não tem medo de ficar ao seu lado e feder junto com você.

Livro: O Grande Gatsby (The Great Gatsby)
Autor: F. Scott Fitzgerald
Editora: Penguin-Companhia (2011)

Extras:

Mais uma adaptação do livro vai ser lançada nos cinemas em breve, aqui está o trailer. Me parece uma versão bem afetada e estilizada.

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