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“For the first time in my life, I am truly in love.”

As histórias de amor costumam ser bem conhecidas pelos leitores. São românticas, dramáticas, profundas…Mas existe outra versão, A Versão do Barney. Para começar, ele não é nenhum mocinho típico: é um bêbado, impulsivo, covarde, mentiroso, dissimulado, suspeito de assassinato. Então a missão de contar uma típica história de amor já encontra seu primeiro obstáculo, que é o próprio protagonista.

Acontece que, apesar de tudo, Barney Panofsky não é tão odiável. Ele narra sua vida com suas três esposas (Clara, a incompreensível e louca artista, a Segunda Sra. Panofsky, uma megera, e Miriam, o grande amor, “chama do coração”) enquanto está velho, acabado, sozinho e sofrendo os efeitos cada vez mais devastadores do Alzheimer. Um leitor mais sensível pode até compreender o drama do coitado e se sentir cativado por um personagem tão “torto”. Eu ainda não me decidi se gosto ou não dele.

Quando comecei a ler, juro que não estava entendendo muita coisa, mas passadas as primeiras páginas, a leitura pegou no tranco e tudo fluiu com muito mais facilidade. O Richler tem uma cultura riquíssima e enfia tudo isso no livro, o que faz você se sentir meio burro. Eu ficava muito feliz quando entendia alguma referência. A dificuldade de entender algumas partes é proposital, então não é tão ruim assim. Por causa do Alzheimer, é muito comum o Barney se confundir, dar informações contraditórias, pular etapas de acontecimentos, e em muitos momentos você não sabe mesmo se aquilo tudo aconteceu ou se foi devaneio dele. Eu me divertia os fatos corretos nas notas de rodapé!

Apesar das ironias e do linguajar chulo, o relato de Barney é, essencialmente, uma declaração de amor à Miriam. É aí que enxergamos a outra versão do amor. Um amor verdadeiro que até mesmo o mais desprezível dos boêmios, aquele rejeitado pelos amigos e pela família, acaba encontrando na vida.

Livro: A Versão do Barney (Barney’s Version – 1997)
Autor:
Mordecai Richler
Editora:
Companhia das Letras

Existe um filme, de 2011, que ainda não vi. Eis o trailer:

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