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“People who claim that they’re evil are usually no worse than the rest of us… It’s people who claim that they’re good, or any way better than the rest of us, that you have to be wary of”

Aposto que todos vocês já ouviram falar de O Mágico de Oz. Aposto também que muitos conhecem o musical da Broadway “Wicked”, que anda fazendo bastante sucesso com o hit “Defying Gravity”, popularizado por Glee. O que pouca gente deve saber é que o musical foi inspirado em um livro homônimo, traduzido aqui no Brasil como “Maligna”.

Poderia ser mais uma releitura qualquer. Poderia ser uma mera tentativa de ganhar dinheiro com uma história pronta, SE não fosse tão genial. Maligna enriquece o universo de Oz de um jeito que fica impossível largar o livro depois de algumas páginas. Uma coisa que só os bons autores conseguem: descrever tudo tão bem, que faz parecer que você conhece o personagem há longos anos, e não há alguns capítulos. Gregory Maguire consegue aproximar Elphaba do leitor com tanta mestria que é muito simples se apaixonar por ela.

Mas…Elphaba é a Bruxa, não é? Aquela que persegue Dorothy a história inteira? A Bruxa malvada que quer vingar a morte da irmã e roubar os sapatinhos vermelhos da pobre menina perdida em um mundo desconhecido? Sim, essa mesma. Em Maligna, você está junto de Elphaba desde antes de seu nascimento, acompanhando os dramas de seus pais. Você entende o porquê dela ter nascido verde, e percebe que a coitada já sofria com preconceito e intolerância desde o dia de seu nascimento.

Considerada amaldiçoada, ela convive com a reclusão e com as ofensas, e nada melhora quando ela começa a frequentar a Universidade de Shiz. Sua colega de quarto, Galinda (que depois muda de nome, pra Glinda, a Bruxa “boa”), é uma patricinha convencida que inicialmente se diverte tirando sarro de Elphaba (a típica bullie popularzinha), mas que aos poucos percebe que a esquisita de pele verde pode se tornar uma grande amiga.

A questão é que nesse livro, tudo se inverte. A sociedade de Oz é manipulada e o Mágico é um ditador. Elphaba, com a melhor das intenções, começa a questionar as práticas intolerantes e xenófobas (contra os Animais, com “A” maiúsculo), e começa a ser perseguida por isso. Enquanto Glinda e os outros permanecem dentro da conformidade (por medo, basicamente), a “bruxa” veste a camisa e passa a viver na clandestinidade, planejando atos terroristas contra o Mágico. É aqui que começa a ser pintada uma imagem de vilã, de Bruxa Má, de louca…Que a Elphaba de verdade não é.

Quantas pessoas são “vilanizadas” de propósito, assim como a Elphaba? Será que são mesmo tão más e insanas, ou foi alguém que as impôs esse rótulo? Será que as causas desses vilões, no fundo, não são dignas? Eu me lembro de Megamente, a animação. Quer vilão mais bonzinho e fofo? Ele só acabou sendo vilão mesmo porque todos apontavam os dedos pra ele, marginalizando-o por causa da sua pele azul e do seu cérebro gigante.

Será que não é sociedade da intolerância que cria os nossos “vilões”?

Gosto desse livro porque além de fornecer uma descrição riquíssima de Oz, nos faz observar a outra versão da história, o outro lado da moeda. Às vezes é bom enxergar os dois lados. Você nunca sabe se o lado que você apoia com veemência é o certo. Se é que existe um lado certo.

“And if I’m flying solo
At least I’m flying free”

Livro: Maligna
Autor: Gregory Maguire
Editora:  Ediouro

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