Tags

, , , , , ,

Hello, pessoas! É primeira vez dando o ar da graça no blog, então acho digno me apresentar. Eu sou a Juliana, servidora pública, brasiliense com orgulho, ¼ de século, amante de livros e bonecas. Eu não tenho nenhum preconceito com literatura. Gosto de ler qualquer tipo de coisa, inclusive aquela xexelenta e barata de banca de jornal. No fim das contas, o que importa pra mim é se o livro conseguiu despertar minha atenção, seja pro bem ou pro mal. Adoro literatura infanto-juvenil, principalmente best-sellers, porque uso como “material de pesquisa”. O plano maléfico da minha vida é escrever esse tipo de coisa pra entreter as menininhas adolescentes e ganhar muito dinheiro, hohoho!

Apesar desse meu lado interesseiro capitalista e explorador, a leitura que me faz suspirar mesmo é aquela mais madura, mais séria. Posso citar alguns autores do coração: Stieg Larsson, José Saramago, Bernard Cornwell, Orson Scott Card, Charlaine Harris, George Orwell, Jung Chang…Entre muitos outros. Se algum dia eu conseguir escrever uma linha no nível dessas pessoas eu vou ser a criatura mais feliz do universo.

Mas indo ao que interessa, o que eu queria falar hoje tem a ver com essa minha diversão em ler best-sellers adolescentes. Já li todo tipo de porcaria e de coisa bacana, e apesar de tão ter esgotado o gênero, já consigo eleger alguns favoritos e tecer umas divagações em cima disso tudo.

Meninas protagonistas: elas são, de fato, menos populares que os meninos. Você não vê uma menina sendo tão popular quanto o Harry Potter, por exemplo. É muito fácil você ser menina e ler “livro de menino”, mas já não é tão comum você ser menino lendo “livro de menina”. O leitor não consegue se identificar e ainda leva um pouquinho de preconceito de brinde. Entretanto, a quantidade de meninas protagonistas tem aumentado muito, e talvez isso se deva ao sucesso da saga Crepúsculo. As editoras estão enxergando um público em potencial, que está ávido para consumir uma história voltada a ele, na qual ele pode se identificar.

Não vou entrar no mérito da qualidade de Crepúsculo, se é bom ou ruim, se é isso ou aquilo…Mas não posso deixar de ressaltar que foi uma série de livros que fez brotar nas prateleiras inúmeras sagas semelhantes de triângulos amorosos e meninas especiais, ou em mundos fantásticos, interagindo com criaturas sobrenaturais e por aí vai. Tendo lido algumas dessas sagas, eu tive uma triste conclusão:

A literatura infanto-juvenil voltada ao público feminino está caindo em um clichê. As histórias têm quase a mesma linha. Os personagens são muito semelhantes. As descrições são quase idênticas. Os finais são previsíveis. E o que é pior: as protagonistas se resumem a garotas insossas (oi, Bella), e em muitos casos, burras (esse adjetivo nada gentil foi colocado aqui graças à Ever, protagonista da saga Os Imortais). A Gabriela inclusive me mostrou esse link, que é uma coisa (muito louca) que uma pessoa (muito paciente) fez, mostrando os clichês das personagens femininas. Vale a pena dar uma olhadinha como curiosidade, e pensar: quantas das nossas personagens femininas são realmente fortes?

Antes que eu fuja do assunto, já estava quase desistindo de me aventurar nesse tipo de literatura despretenciosa quanto topei com Jogos Vorazes. A Katniss me surpreendeu porque não ficava suspirando pelo Peeta ou pelo Gale enquanto morria de fome ou tentava sobreviver. Ela não caia na vala da protagonista romântica e apaixonada que coloca o triângulo amoroso em primeiro lugar: não, ela está numa guerra, as pessoas que ela ama estão morrendo, e ela tem mais o que pensar além de decidir quem ela vai beijar. Não que nossas queridas protagonistas não possam se apaixonar ou que os livros não possam ter romances…Mas o importante aqui é perceber que, felizmente, está surgindo mais espaço pra livros que não batam tanto nessa mesma tecla que já está se desgastando. A prova disso é o sucesso de Jogos Vorazes, não só entre o público feminino, mas inclusive entre o adulto.

Ver livros do gênero fugindo do clichê triângulo amoroso/criaturas sobrenaturais me dá uma grande esperança: Quem sabe um dia teremos muitas Katniss por aí, conquistando fama e popularidade do mesmo jeito que um Harry Potter, um Percy Jackson, um Artemis Fowl…Quem sabe?

Anúncios